Sucata do Discurso, 2002

 

 

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Intervenção ambiental

Container 210 cm X 1,50 X 1,80

350 kg de letras caixa e letreiros urbanos recolhidos em depósitos e ferro-velhos de BH

na entrada da Biblioteca Estadual Luiz de Bessa, MG, Brasil (Externo)

Caderno de anotação, plantas baixas, texto de aviso impresso

e afixado na entrada da biblioteca (Interno)

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“Sucada do Discurso” é uma obra de intervenção ambiental que esteve instalada na fachada da Biblioteca Pública Luiz de Bessa, durante 15 dias.

Em aviso afixado na porta da edificação projetada por Oscar Niemeyer, a artista se referida ao container como acervo de letras e solicitava aos visitantes que escrevessem em um caderno, sugestões sobre o que fazer com elas. Sem se anunciar explicitamente como arte no espaço externo à biblioteca, mesmo que internamente o trabalho se revelasse como tal, a sua permanência na área atraiu catadores, decoradores, estudantes, turistas, estrangeiros, entre outros, que intentaram levar as letras na caçamba, para si. Saques passaram a ocorrer noturnamente, e sobretudo na calada da primeira noite em que a obra foi exposta.

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As letras de alumínio que restaram, que eram emprestadas de um ferro velho, foram levada para dentro da biblioteca para que pudessem ser devolvidas depois da exposição. As demais letras, de latão, permaneceram do lado de fora por não ter valor comercial, na época. A ação de retirada das letras foi, na medida do possível, coagida pelos porteiros da biblioteca, o que causou um grande desconforto para a instituição. Na manhã seguinte à abertura da exposição, cercaram a obra com cabos de vassoura e contentores, conforme vê-se nas fotos e chamaram a artsita para dar uma solução ao problema que ela havia criado. E enquanto a artista esteve fisicamente presente na biblioteca algumas tentativas de retirada de letras do container aconteceram e os relatos foram anotados em caderno que estava à disposição do público no hall da biblioteca.

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Para um catador de sucata, a letra valia o seu peso em metal e poderia ser vendida pelo equivalente a um prato de comida. Para uma sra. dona de casa, a letra servia para decorar o quarto do filho adolescente. Estes e outros relatos se encontram no caderno de anotações bem como depoimentos e sugestões do público sobre o que fazer com as letras.

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No dia da retirada do trabalho do local, com o fim da exposição, dois catadores que passavam pela praça levaram as letras que restaram e não poderiam ser guardadas pela artista. Em uma performance incidental, um grande E desfilou pela cidade dentro do carrinho do catador de sucata.