
Sem Valor, 2024
Instalação
7 cifrões vermelhos de latão (70 x 45 cm cada) apoiados sobre pilastra e chão pintados de cinza,
termo de acordo impresso e assinado, púlpito.
“Sem Valor” é um trabalho que se serve do símbolo do dinheiro para explicitar as tensões entre o valor material da obra de arte, seja no âmbito simbólico, monetário ou da fruição e acesso a bens de alto valor aquisitivo.
O trabalho foi idealizado a partir de um convite da Casa Camelo para integrar a exposição coletiva “Palavras não lidas, malditas, se perdem do escuro” em 2024, Belo Horizonte, Minas Gerais. O local onde hoje funciona o centro de arte, havia sido um bingo clandestino, e esta informação impulsionou a montagem inédita deste trabalho, que havia sido realizado no espaço público e agora é apresentado no ambiente da galeria.
Atualizado para o momento político brasileiro de 2024, com a rediscussão do fim da proibição de jogos no Brasil, os cifrões foram montados em torno de uma das pilastras estruturais do espaço. Juntamente com as 7 peças, um termo de uso determina que em nenhuma hipótese a obra poderá ser vendida. “Caso contrário ela perdera seu valor de obra de arte”.
Em 2001, com a proibição do jogo de azar no Brasil, as casas de apostas foram desmontadas e com isso suas fachadas também. Os 7 cifrões utilizados no trabalho são originários da fachada de um desses bingos, e foram encontradas em um depósito, em 2002 , em Belo Horizonte, MG.
Uma ação de intervenção artística ambiental intitulada Cifras, aconteceu em 2003 nas ruas do centro de Belo Horizonte, com os 7 cifrões atados por uma corda, e levados pelas ruas e calçadas, de forma “infiltrada” na realidade urbana, sem ser anunciado como trabalho de arte.


