H.Q.

Entre 1995 e 2011, na pré história do meu percurso nas artes visuais, explorei a linguagem dos quadrinhos e criei histórias protagonizadas por mulheres. Experimentei o recorte como técnica narrativa, e passei a pensar a página como unidade, na abolição de algumas regras dos quadrinhos, em um exercício de linguagem, mesmo. As cores e as formas eram pensadas com certa autonomia narrativa. A cor era personagem, as palavras não mais cabiam em balões e se conectavam com a imagem de modo mais orgânico. Mesmo nos quadrinhos autorais, dos anos 1990, nós, mulheres,  éramos sempre retratadas por homens  – HQ no Brasil, pelo menos até os anos 2000, era um meio majoritariamente masculino – e como figuras idealizadas, musas, bruxas , heroínas… Também haviam pouquíssimas mulheres fazendo quadrinhos na América Latina, que eu saiba. Narrar histórias de mulheres comuns, com seus grelhos e grilos não estava no gibi. A Revista Graffiti, 76% quadrinhos lançou diversos nomes que naquele tempo ainda eram desconhecidos, e colocou Belo Horizonte no circuito das HQs  brasileiras. Já neste tempo, eu era feminista e não sabia.  

 


Sombras Coloridas, 2000. 7 páginas/cor.

Recorte e roteiro: Silvia Amélia.

Textos adicionais: Clarisse Alvarenga. 

Publicada na Revista Graffiti 76% quadrinhos, n.4.- Belo Horizonte, Brasil.



Mulher Planta, 2003.

Roteiro e recorte, Silvia Amélia. 7 páginas, cor. 

Publicada na Revista Graffiti n.6 – Belo Horizonte, Brasil.